Educação Infantil

Conquistas e desafios no trabalho com grupos multietários

Turma da Educação Infantil do Santa Maria mesclou faixas etárias. O resultado foi encorajador!

Autoria: Fernanda Inouye Miura, professora do Jardim II da Educação Infantil do Colégio Santa Maria

Em 2021, experimentamos na Educação Infantil do Colégio Santa Maria uma turma multietária, onde crianças de três a cinco anos conviveram e aprenderam juntas.

Celéstin Freinet, um educador do século passado, já trazia como provocação a riqueza que turmas com idades diferentes poderiam viver por meio de instrumentos por ele definidos como Roda de Conversa e Ateliês de Trabalho. E foi assim que nossa proposta se realizou, com muitas rodas de conversas nas quais tratamos assuntos diversos, de resolução de conflito à verbalização dos sentimentos, e com ateliês de trabalho para troca de experiências e construção de saberes.

Observamos ao longo do ano que as crianças menores, admiradas com a potência dos mais velhos, desenvolveram habilidades a partir desse convívio e as maiores, ao invés de se relacionarem como “cuidadoras”, trataram os colegas mais novos como parceiros potentes.

O que ganhamos com isso?

Uma comunidade multietária, em que crianças aprenderam a aprender a compartilhar saberes e respeitar as diferenças. Nesse grupo, independentemente da idade, todos tiveram algo para compartilhar, pois as crianças, assim como os adultos, levam consigo a cultura familiar e os saberes do espaço em que convivem.

Por meio das rodas de conversa e ateliês de trabalho, nosso papel como professoras é de mediar e conectar conhecimentos e, principalmente, ensinar as crianças a apreender, provocando reflexões com perguntas e desafios cognitivos.

O convívio com as diferentes idades ampliou potencialmente as oportunidades de aprendizagem. Observando e interagindo com as diferenças do outro, a turma multietária foi facilitadora da construção do conhecimento através da interação social.

Nosso maior desafio é olhar para as individualidades e pensar em boas estratégias para potencializar o desenvolvimento de cada criança. Algumas, por exemplo, com desejo enorme de aprender a ler e escrever, acabaram “contaminando” o restante da turma e as diferentes faixas etárias passaram a reconhecer letras e a escrever seu próprio nome.

O mundo é assim, não é mesmo? No convívio familiar e no mundo do trabalho, nos relacionamos com pessoas mais velhas e mais novas, compartilhamos saberes, desejos e sentimentos, influenciando e deixando ser influenciado. Essa turma teve a oportunidade de desenvolver habilidades e competências que o mundo necessita, o convívio social respeitoso e harmonioso.

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