Educação Infantil

O direito à diferença na Educação Infantil

“O que é a educação senão a construção de oportunidades para as pessoas desenvolverem as habilidades e a mentalidade que as ajudarão a viver de forma a ter objetivos que valham a pena alcançar?” – Fernando M. Reimers, diretor do Programa de Políticas em Educação Internacional da Universidade Harvard.

Autoria – Fernanda Inouye Miura, professora do Jardim II

Se queremos formar cidadãos éticos, justos e participativos, é desde a Educação Infantil que o respeito às diferenças deve ser ensinado, ou seja, vivido. Crianças aprendem com o corpo, observando, ouvindo, sentindo, quando percebem o outro e suas necessidades e singularidades. Por isso, na Educação Infantil do Santa Maria, proporcionamos várias maneiras de abordar temas que levem em conta o respeito às diferenças.

Logo nos primeiros dias de aula, proporcionamos um clima de acolhimento, amizade e cuidado com o outro. As crianças começam a exercitar em gestos e atitudes o que significa aprender a cuidar dos amigos e a agradecer os funcionários que cuidam dos espaços da Escola (jardim, limpeza, segurança, secretaria etc). Assim, há um vínculo estabelecido que ajuda muito a criança a se colocar no lugar do seu par de forma afetiva e amorosa.

Ações simples também colaboram, como deixar de dividir crianças em meninos e meninas para formar a fila em brincadeiras ou desconstruir a ideia de “coisas de menina” e “coisas de menino”, colocando todos em um lugar comum.

Músicas e histórias também são ferramentas potentes para levar as crianças a pensarem a respeito da vida e da cultura de diferentes personagens, pessoas, comunidades. Permitem elaborar perguntas que ajudam a ir em busca dos diferentes caminhos que a história de cada um seguiu.

Trabalhamos, assim, a beleza das raças, das crenças, as características físicas e afetivas. Encontramos no convívio social e no cotidiano maneiras valorosas de trabalhar comportamentos e atitudes de respeito, compreensão e aceitação. Afinal, como seria o mundo hoje sem as descobertas dos insetos pela corajosa cientista Maria Sibylla, sem o jazz para nos alegrar e sem as histórias da beleza africana para refletirmos sobre nossas ações?

Enfim, pequenas ações que desencadeiam longas rodas de conversas sobre diferenças, igualdades, desigualdades e, principalmente, o quanto podemos crescer respeitando, incluindo e agindo para a construção de um mundo mais justo e equânime.

Por fim, o que sabemos é que apresentar e discutir sobre as diferenças é urgente e de uma importância enorme para o mundo que queremos, mais justo, fraterno e de esperança. Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), “a educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e também voltada para a preservação da natureza”.

Esse é um requisito para vivermos em paz uns com os outros e com o lugar que habitamos. Enfim, as crianças também são criadoras de cultura de infâncias.

   

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