Ensino Médio

Direitos Humanos e o uso de jogos no espaço escolar

Autoria: Mayra Lourenço – Professora de História do Ensino Médio do Colégio Santa Maria.

Núcleo Básico, unidades curriculares eletivas, itinerários formativos. À primeira vista, as diferentes nomenclaturas e a diversidade de possibilidades do Novo Ensino Médio causam angústia e dúvida ao observador não familiarizado com as novas dinâmicas. Como compreender tantos cursos? Como lidar com tantas unidades curriculares e suas diferentes dinâmicas?

A resposta a essas questões não estão dadas, mas constituem a área de investigação do corpo de educadores que foram desafiados a pensarem em novas estratégias de ensino-aprendizagem nas diferentes competências e habilidades propostas com o novo currículo. Como professores-pesquisadores procuramos garantir o cumprimento dos princípios educacionais oficiais, ao mesmo tempo que buscamos garantir que as nossas alunas e alunos aprendam e estejam inseridos nas melhores experiências proporcionadas pelas pesquisas recentes no campo pedagógico.

Dentro desse contexto, como pensar determinadas áreas de conhecimento que se caracterizam pela leitura, análise e reflexão da realidade? Com às novas demandas, como pensar as ciências humanas, assumindo seu caráter não-experimentativo e não passível de ser concretizado pela prática laboratorial? Como garantir a dinamização e o envolvimento dos alunos e alunas com os problemas sociais em um período pós-pandêmico de isolamento e falta de convívio coletivo?

As alunas e alunos do curso de Projeto de Ação da primeira série do Ensino Médio foram convidadas a ultrapassar esses desafios a partir da pesquisa, da atividade lúdica e da reflexão sobre a realidade imediata, do estudo do conjunto de corpus de direito internacional. Por meio da análise das diferentes convenções internacionais de direitos humanos, formuladas após a promulgação da Declaração Universal, levantamos como as leis funcionam e interferem na vida das pessoas.

Durante as aulas, as alunas e alunos foram divididos em grupos e foi atribuído a cada um deles uma convenção internacional para a pesquisa. Cada grupo precisava realizar uma investigação acerca das características fundamentais e o histórico de cada conjunto de direitos. A seguir, deveriam propor um jogo para fixar os princípios que orientam cada declaração.

Neste sentido, ao longo de quatro semanas os alunos e alunas foram convidados a, através da ludicidade, aprender sobre direitos da criança, mulheres, negros e pessoas com deficiência. Foram elaborados jogos de tabuleiro, da memória, passa ou repassa e caça ao tesouro.

Ao final de cada sessão de apresentação e do jogo correspondente, era feita uma roda de conversa para que as alunas e alunos pudessem compartilhar o que aprenderam e, sobretudo, como enxergavam a relação de dado conjunto de leis à realidade ou experiência de cada uma delas e deles.

A postura ativa foi a premissa da atividade, pois esperava-se que as alunas e alunos, além da pesquisa, pensassem em estratégias para explicar o processo e os significados subjacentes a cada declaração, ao mesmo tempo que garantisse o engajamento da turma nos jogos propostos. A disputa para vencer as brincadeiras foi menos presente que o diálogo intra-grupo e a sensação de descobertas a cada competição, nos sorrisos despertados e na experiência de pensar, fazer e aprender.

Assim, por meio de uma linguagem diferente que recorre ao dinamismo, a autonomia de alunos e alunas, a conversa ativa e a aproximação com as experiências dos estudantes, foi possível experienciar outras maneiras de produzir conhecimento de maneira engajada e com vínculos claros à realidade de cada uma das/os estudantes.

O Novo Ensino Médio, a princípio, pode parecer recheado de terminologias e repleto de dificuldades, mas é diariamente pensado como um projeto de educação que privilegia o protagonismo das alunas e alunos, garantindo atenção às suas especificidades ao mesmo tempo que procura garantir, a partir da socialização, a construção coletiva de saberes e práticas. A reforma curricular, desta forma, representa um (re)pensar constante na escola que desejamos construir: engajada, viva e significativa.

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