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Fui estudar Guerra Fria e o professor passou o filme Rocky IV

O que tem a ver o filme de um lutador de boxe com a Guerra Fria, o maior conflito ideológico e quase militar da segunda metade do século XX?

Autoria: Paulo Roberto Andrade de Moraes, professor de Geografia do 9º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santa Maria

Essa relação é possível graças aos estudos de Ciências Humanas, que permitem diversas abordagens, dada a variedade de temas trabalhados. Em Geografia, as ramificações dessa ciência abrangem desde o estudo dos aspectos físicos, seus conceitos-chaves (espaço, paisagem, lugar, território e região), assim como os aspectos demográficos, regionais, econômicos e geopolíticos.

No 9º ano do Ensino Fundamental, especificamente, estudamos diversos temas que remetem à reflexão e à contextualização dos principais eventos geopolíticos da segunda metade do século XX e dos anos já vividos no século XXI. São episódios ricamente documentados e seus registros podem – e devem – ser utilizados como estratégias que oportunizam uma aprendizagem significativa em que os alunos consigam assimilar, relacionar e contextualizar o que foi discutido em sala.

Cinema vira “arma”

Retomando a Guerra Fria, que foi uma guerra ideológica entre as duas grandes potências políticas que surgiram ao término da Segunda Guerra Mundial: Estados Unidos e ex-União Soviética. Como tal, ambos países utilizaram os recursos que tinham, e o cinema estadunidense acabou se tornando uma grande arma de propaganda do sistema capitalista de governo.

A partir da contextualização dos fatos e do desenvolvimento da criticidade dos alunos, a exibição de trechos do filme Rocky IV, em que o ítalo-americano Rocky Balboa luta contra o soviético Ivan Drago, robótico e desprovido de humanidade, oportuniza diversas abordagens e relações. Enquanto na década de 1980, auge da Guerra Fria, um americano médio, ao sair da sala de cinema, tinha a sensação de que havia heróis e vilões, o aluno consegue identificar as mensagens implícitas desse episódio geopolítico.

O mundo cabe no digital

Os principais eventos históricos após a Segunda Guerra são amplamente documentados e de fácil acesso pelo YouTube. Enriquece muito os diálogos em sala sobre a queda do muro de Berlim, por exemplo, a possibilidade de assistir a uma reportagem do Jornal Nacional, de 1989, em que o então correspondente internacional Pedro Bial mostra as pessoas cruzando os dois lados da cidade alemã, e o aluno observa a paisagem, compara as construções, os automóveis e outros elementos. Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e a pandemia que assombra o planeta há quase dois anos são outras situações que evidenciam como o uso desses recursos midiáticos são úteis para a dinâmica da classe. Tais estratégias devem ganhar cada vez mais espaço, já que os ritmos estão cada vez mais acelerados, impossibilitando que os materiais didáticos tradicionais, como os livros, sejam atualizados na mesma velocidade.

Por que faz sentido

Segue uma reflexão da aluna Alice (9º C) sobre o emprego dessa estratégia em sala de aula: “O uso de reportagens durante as aulas é, sim, útil: além de manter os alunos atualizados sobre o que está acontecendo no mundo, auxilia na compreensão do processo de globalização. Ver as reportagens é uma forma de entender como os meios de comunicação funcionam; o próprio fato do vídeo ou texto estar sendo mostrado em aula já é um grande exemplo do mundo cada vez mais unificado. Com a exibição, também fica mais fácil entender as consequências reais daquilo que estamos estudando, ver uma perspectiva de vida diferente ou até mesmo compreender melhor os aspectos econômicos e sociais de uma certa região. Tudo isso depende da própria reportagem mostrada”, pondera.

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