Metodologias Ativas

Idade Média: um mundo de histórias

Entenda como se estrutura um projeto que objetiva aprofundar um tema histórico no Ensino Fundamental II.

Autoria: Lucas Marchezin, professor de História do 7º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santa Maria

Ao folhear qualquer livro didático de História e procurar o período conhecido como Idade Média, vamos, invariavelmente, encontrar informações sobre a formação da nobreza, os servos e suas obrigações, os feudos e sua divisão em três partes, a Igreja Católica e a construção de uma visão de mundo teocêntrica. Ou seja, teremos uma série de informações sobre a Europa nesse período. Quando muito, encontramos uma parte reservada ao surgimento do Islã, a expansão árabe e os conflitos entre muçulmanos e cristãos nesta época.

Tal fato nos faz esquecer que a Idade Média, a priori, é apenas um recorte temporal, um segmento de tempo marcado pela Queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d. C., e a Queda do Império Romano do Oriente, em 1453 d.C. Estamos tão inseridos em uma narrativa histórica baseada no olhar europeu sobre o mundo que nos esquecemos de nos perguntar o que mais aconteceu nesse período, que histórias ocorreram além dessa Europa Ocidental que tanto estudamos na escola e vemos representada em livros, séries e filmes.

É justamente esse questionamento que fez com que surgisse o projeto Histórias da Idade Média na 7ª ano do Santa Maria, com a premissa básica de incitar os alunos a investigarem que outras histórias e outros povos existiram nesse período, para além do espaço geográfico geralmente trabalhado em sala e abordado pelos livros didáticos. Assim, no decorrer do 1° semestre de 2022, as turmas têm desenvolvido uma série de atividades de pesquisa e investigação, tendo como objetivo final a construção de um mapa interativo que possa dar essa dimensão de diversidade de histórias, as quais coexistiram na Idade Média.

Dinâmica e planejamento

As duas primeiras etapas do projeto ocorreram no 1° bimestre. Foi realizado um sorteio entre os alunos para definir qual sociedade seria pesquisada. As possibilidades de pesquisa eram Império Bizantino, Império chinês, Império do Mali, Japão Medieval, Vikings e Maias. A primeira etapa consistia em uma pesquisa individual, com base em informações encontradas na internet, sobre uma dessas sociedades. Nela, deveria constar as principais informações sobre as características políticas, econômicas, sociais e culturais da sociedade sorteada.

Já a segunda etapa consistiu na reunião dos alunos em grupo, a partir do tema em comum de pesquisa. Em um primeiro encontro, no Espaço HUB do Colégio, foi montada uma dinâmica de rotação em três estações: a primeira voltada para a verificação da confiabilidade das fontes, a segunda focada na comparação das informações obtidas na pesquisa e a última, na seleção de imagens da sociedade estudada pelo grupo.

O objetivo desse primeiro encontro era socializar as pesquisas individuais, estabelecer critérios de verificação de informações retiradas da internet e, por fim, preparar as bases para a construção de um cartaz sobre a sociedade estudada. Nos dois encontros posteriores, os grupos se dedicaram a essa tarefa, tendo como base os materiais levantados na primeira reunião.

Agora, no 2° bimestre, retomaremos o processo de pesquisa a partir do uso de fontes físicas, ou seja, livros. A partir de três encontros na Biblioteca, na etapa três, os alunos irão aprender como realizar pesquisa nesse espaço, como identificar os livros necessários, fazer a curadoria desse acervo e a seleção e informações. A partir daí, irão revisitar o cartaz produzido, fazendo os acertos necessários e preparar uma apresentação de cinco minutos para a sala da sociedade estudada. Após finalizar esse processo, será montado um mapa interativo com os cartazes e, na quarta etapa, esse mapa será utilizado como base para as apresentações dos grupos. Essa atividade será realizada no Espaço HUB, aproveitando os recursos que ele oferece para isso, como a lousa digital.

Os livros não são escritos para que acreditem neles, mas para serem submetidos à investigação” – Umberto Eco

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