Uso de desenhos animados para estudos dos seres vivos

Personagens da série Pokémon são usados em atividade para compreender sistemática filogenética nas aulas do Ensino Médio.

Identificar parentesco entre seres vivos é uma das áreas mais fascinantes da ciência. Materiais fotográficos, vídeos e passeios culturais, entre outras atividades práticas, são ferramentas valiosas para encontrar um grau de parentesco entre dois ou mais seres diferentes. É inevitável, por exemplo, não ver algum grau de semelhança entre um gato doméstico e uma onça pintada, ou em cachorros e lobos. Sim, são próximos e possuem características que levam a isso: pelos, número de patas, comportamento, entre outras semelhanças.

A sistemática filogenética é a área da ciência responsável pelo estudo da origem em comum entre os seres vivos. Seu alvo é estabelecer algum tipo de relação, seja física (morfológica), genética ou evolutiva. A ferramenta mais usada da sistemática é a produção de árvores filogenéticas ou cladogramas, cujo objetivo é detectar alguma característica comum aos grupos estudados.

Exemplo de um cladograma mostrando grau de parentesco entre cães e lobos. As características como glândulas mamárias e pelos são encontradas tanto nos cães como nos lobos, mas não em aves.

Atividade com desenho animado

Com o objetivo de transformar aulas mais ativas e dinâmicas, alunos da 1ª série do Novo Ensino Médio do Colégio Santa Maria desenvolveram uma atividade fazendo uso do desenho animado Pokémon. O objetivo foi comparar alguns personagens da série japonesa, analisar características semelhantes e desenvolver um possível cladograma. Para tanto, selecionamos seis personagens e comparamos algumas estruturas: a presença de três cabeças, asas, braços, pescoço, olhos e penas.

Primeiramente, os alunos analisaram quais características são semelhantes ou distintas entre um ou mais personagens, estabelecendo graus de parentesco e ancestralidade entre eles. Por exemplo, todos possuem olhos, sugerindo uma ancestralidade comum em todos os seres estudados. Todavia, braços são encontrados apenas em dois seres (dragonite e charizard), indicando um nível de parentesco entre ambos. A segunda etapa foi o desenvolvimento de um possível cladograma que explique a presença das estruturas ao longo do processo evolutivo. A produção de cladogramas estabelece parentescos, estruturas em comum e uma visão comparativa entre os seres.

Exemplo de cladograma desenvolvido por alunos. A característica braços é indicada apenas nos seres que compartilham essa estrutura. Entretanto, a estrutura olho é comum a todos.

A construção do trabalho foi um sucesso. Além da aplicação comparativa entre seres vivos de forma bem dinâmica e diversificada, os alunos propuseram avançar a atividade em outras franquias de desenhos animados. A proposta final é compreender a sistemática e a filogevnia de forma lúdica e a aplicação na comparação real dos seres vivos.

Essa atividade foi inspirada na atividade publicada por Luís Carlos Saito, Instituto de Biociências, USP, na revista SBEnBio, número 7 – outubro de 2014.

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