Criado pelos alunos do 4º ano, o projeto Vitrine de Livros transformou experiências de leitura em autoria e promoveu um encontro literário com as turmas do 2º ano, ampliando repertórios, sentidos e vínculos por meio da troca entre leitores de diferentes etapas.
Autoria: Renata Ferrari e Fátima Perazzoli – Professoras do Ensino Fundamental Anos Iniciais.
Era uma vez um projeto de leitura do 4º ano que, como todo bom enredo, guardava em si uma surpresa: a possibilidade de transformar leitores em escritores. Assim, entre imaginação, linguagem e colaboração, uma narrativa foi sendo construída ao longo do segundo semestre letivo.
Quando o conhecimento transborda, ele não cabe em apenas um grupo e, naturalmente, se espalha. Foi exatamente isso que aconteceu. As indicações literárias do 4º ano, organizadas com cuidado, reuniam sugestões de autores, títulos e mensagens narrativas carregadas de significado, pensadas especialmente para leitores mais jovens. Vivenciamos uma verdadeira polinização leitora, que ampliou não apenas o repertório linguístico, mas também o olhar para e sobre a vida.
Ao chegarmos às salas do 2º ano, fomos recebidos por olhares curiosos, atentos e encantados. A pasta literária da Vitrine de Livros, projeto da nossa série, apresentou-se como um ponto de partida para futuras escolhas. A professora Fátima, do 2º ano, percebeu ali uma oportunidade preciosa: a troca entre estudantes de diferentes faixas etárias poderia aprofundar a imersão dos mais novos no universo da leitura e da escrita, agora em um degrau maior de complexidade.
A série estudava o gênero descritivo, e nada mais coerente do que vivenciar esse elemento narrativo de forma orgânica e colaborativa. Afinal, é na introdução de um conto que o leitor se conecta ao enredo e sente o desejo de avançar na leitura. Foi assim, alinhando intencionalidades pedagógicas e a magia da criação, que nasceu uma proposta didática capaz de conectar duas séries em torno de um mesmo objeto de conhecimento, respeitando as especificidades de cada faixa etária.
O 4º ano ficou responsável por escrever um conto de encantamento a partir de uma ilustração construída com elementos subjetivos, apresentados como rubricas obrigatórias de imagem. Do gráfico que concretizava a imaginação, surgiu um reino encantado, com personagens, cenários e um gancho narrativo que sugeria um conflito. Tudo isso ganhou forma nas linhas das folhas de fichário, repletas de observações e correções, especialmente voltadas ao uso de adjetivos e advérbios na construção da descrição. Um verdadeiro convite ao mistério, exatamente o tipo de enigma que desperta a vontade de seguir lendo e, agora, também de escrever.


















