Entre apelos do mercado e direitos fundamentais, a escola reafirma a infância como tempo de experiências, vínculos e cuidado com a Casa Comum.
Autoria: Nathália Furtado – Professora do 1º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santa Maria
Não é raro ouvirmos que as crianças são “consumidores em potencial”. Muitas vezes, de forma quase automática, acabamos nos rendendo a essa lógica e as confinando a um papel que pouco dialoga com a complexidade e a riqueza da infância. É improvável que a maioria dos adultos, ao planejar suas famílias, tenha como intenção educar crianças orientadas prioritariamente para o consumo. No entanto, ao acompanhar o cotidiano infantil, somos confrontados por uma realidade contundente: o mercado não está de brincadeira, e a disputa pela atenção e pelo desejo das crianças é intensa.
Brinquedos variados, colecionáveis sem fim, dispositivos eletrônicos e roupas que se tornam obsoletas a cada novo lançamento do entretenimento infantil compõem um cenário no qual vitrines, propagandas e conteúdos digitais sugerem que a felicidade está diretamente ligada a ter sempre mais. Mas a infância não se sustenta nesse pilar. As crianças são muito mais do que consumidores.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 4º, reforça que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar, com absoluta prioridade, direitos como saúde, educação, lazer, cultura, dignidade, respeito, liberdade e convivência familiar e comunitária. Trata-se de direitos que ultrapassam o ato de consumir e que nos convidam a olhar para a infância de forma integral.
















