A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, marcada por mudanças afetivas, cognitivas e sociais, ganha sentido quando a escola constrói rituais pedagógicos intencionais que acolhem a criança, fortalecem o pertencimento e transformam o desafio do novo em um percurso de crescimento e aprendizagem.
Autoria: Sabrina Yoshikawa – Professora de Educação Infantil do Colégio Santa Maria.
A passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental é marcada por muitas mudanças: novos colegas, espaços, professoras e uma nova etapa de crescimento. O psicanalista Alexandre Coimbra ressalta a importância de ressignificarmos, construirmos os rituais de passagem, de modo que estes façam sentido e não se tornem meras formalidades a serem cumpridas.
Nesse horizonte, a escola pode inspirar-se na Jornada do Herói, de Joseph Campbell, para compreender o percurso infantil. Na “Partida”, a criança abandona o universo conhecido da Educação Infantil; na “Iniciação”, enfrenta desafios, regras novas, conteúdos mais complexos e a sensação de ainda não pertencer totalmente a esse novo lugar; no “Retorno”, volta fortalecida, com novas competências que beneficiam a si mesmo e ao grupo, assumindo uma identidade renovada como estudante.
Essa perspectiva, ilumina os aspectos subjetivos que ocorrem nos momentos de transição. Refletir sobre isso nos ajuda a dar sentido aos rituais e perceber a importância de cuidar de nossos pequenos heróis ao longo destes processos.
Estratégias simples e pensadas com intencionalidade pedagógica fazem uma grande diferença na preparação da transição de série. Ações que envolvam a escuta ativa das crianças, famílias e a troca de informações entre os professores das duas etapas são essenciais.
No Colégio Santa Maria, costumamos fazer com a turma um levantamento de perguntas para serem feitas para a série seguinte, programar visitas à nova sala de aula para que se familiarizem com os novos espaços.
A apresentação dos materiais – livros, cadernos, pastas – feita pelos próprios estudantes do ano seguinte transforma o “desconhecido” em algo à mão: quem já viveu a experiência se torna referência e modelo, reduzindo inseguranças e ampliando o sentimento de pertencimento.
Quando os adultos, familiares e comunidade escolar estão conscientes do significado dessas passagens estabelecendo rituais de preparação para o novo e legitimando a importância dessa nova etapa, este desafio pode ser vivido com tranquilidade e as crianças percebem que podem retornar do novo fortalecidas e confiantes de que aprender é uma forma de reinventar-se.
*Imagem em destaque ilustrativa. Fonte: FreePik













