Papel da professora e de cada criança
Precisamos entender que em um conflito sempre existe mais de uma pessoa, portanto, a professora é responsável em auxiliar as mediações e deverá ouvir todos os envolvidos na história, para que juntos compreendam os fatos e consigam expressar o que sentiram no momento do desentendimento (estranhamento).
Durante a mediação, não existe lado certo ou lado errado, existe um fato ou atitude que desagradou as crianças, e elas precisam de ajuda para explicar, uma à outra, o que não gostaram, usando palavras e expressões faciais para que o outro entenda.
Durante a conversa, a mediação da professora é fazer perguntas nas quais cada criança compreenda o que sentiu e como o outro também está lidando com a situação. Perguntas como: “Você contou para o seu amigo que não gostou do que ele fez?”, “Olhe para o rosto do seu amigo, você consegue perceber que isso o deixou chateado?”, “O que você acha que pode fazer para resolver esse problema?”, são exemplos de diálogos que promovem a reflexão das crianças durante a resolução do conflito.]

Incentivar a criança a falar e a demonstrar fisicamente com expressões faciais seus sentimentos fará com que ela desenvolva empatia pelo próximo e, ao se deparar com outra situação parecida, tenha repertório para tentar solucionar o problema com autonomia.
Piaget diz que…
“Ao vivenciar conflitos ocorre um desequilíbrio interno no qual a criança começará a buscar uma nova ordem, permitindo que esse ser reflita sobre maneiras de estabelecer reciprocidade, entendendo seus sentimentos e criando estratégias de maneira cooperativa para se desenvolver, afinal, é através desses conflitos que o processo de autorregulação é desencadeado”.
Nessas situações também é muito comum que a professora não dê a resposta do que deve ser feito para o problema ser solucionado. Ela ouve as ideias das crianças, que usam estratégias e conhecimentos prévios para encontrar uma solução. Se a criança ainda for pequena, será também responsabilidade desse mediador oferecer algumas ideias de resolução para que ela decida qual será a melhor maneira de resolver o desentendimento ou atrito, acolhendo e respeitando a escolha de cada uma e ajudando a perceber se foi ou não uma boa solução, quantas vezes forem necessárias.

Refletindo
Os conflitos fazem parte da jornada de crescimento, amadurecimento, compreensão das frustrações e desenvolvimento da habilidade de ser resiliente, afinal é natural do ser humano fazer questionamentos, não concordar com algumas atitudes ou querer que suas ideias e vontades prevaleçam. Portanto, devemos entender que esses conflitos aparecerão no dia a dia, e que as mediações serão feitas para esse indivíduo se desenvolver de maneira plena e respeitosa consigo mesmo, com o próximo, e competente para viver num mundo plural, diverso e de compreensão do outro.