Um olhar sensível para o momento que a escola e as crianças estão “vivendo juntas” . Este texto poético da professora Beatriz Gomes, do Jardim I, é uma expressão do que significa a relação de uma educadora das infâncias com cada criança, na primeira fase do ano escolar. Enjoy!
Autoria: Beatriz Gomes – Professora do Jardim I
“Tenho medo(s), mas não sei como dizer isso!” Acolher é um começo… ou um caminho!
O primeiro dia, o primeiro passo, o primeiro olhar.
Para nós, um instante comum. Para a criança, um mundo inteiro a ser desvendado.
O coração bate forte, as mãos pequenas suam, os olhos procuram abrigo.
E o medo? Ah…O medo mora dentro do peito, escondido entre suspiros e abraços apertados.
Na infância, os medos nem sempre têm nome.
Às vezes, são apenas um choro contido, um silêncio denso, um corpo que hesita em atravessar a porta.
Medo de ficar. Medo de ser esquecido. Medo de não pertencer.
Como dizer isso, se as palavras ainda não aprenderam a alcançar o tamanho do sentir?
Acolher é escutar com os olhos, com o toque, com a alma.
É compreender que cada lágrima carrega um pedido de cuidado.
É estar ao lado sem apressar, dar tempo ao tempo, abrir os braços sem exigir um passo adiante.
É segurar sua mão sem pressa, estar por perto sem forçar, sussurrar com gestos:
– “Estou aqui. Você não está sozinho.”


















