O Estudo do Meio das turmas do 6º ano foi uma imersão na cultura Guarani e na Mata Atlântica. Entre diálogos, trilhas e vivências na aldeia, eles descobriram novas formas de olhar para a natureza, para a cidade e para os povos originários, ampliando saberes e desconstruindo estereótipos.
Autoria: Professores Luciano Marinho e Paulo Roberto Andrade (Geografia), Fernando Herculiani (História), Raquel Guirado (Arte) e Ana Carla Cavalcanti (Matemática).
Neste segundo semestre do ano letivo, os estudantes do 6º ano do Colégio Santa Maria viveram uma experiência transformadora durante o Estudo do Meio no Polo de Ecoturismo de Parelheiros e Marsilac, na zona sul de São Paulo. A atividade, organizada pelas unidades curriculares de Artes, Geografia, História e Língua Portuguesa, e com atravessamentos em todas as áreas da série, teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a cultura Guarani e refletir sobre questões ambientais, integrando saberes, vivências e valores em uma proposta pedagógica significativa.
O Pré-Campo: preparando o olhar e o coração
Antes da visita, os alunos participaram de um bate-papo no auditório do colégio com convidados especiais: a liderança guarani Jerá, da Aldeia Tenondé-Porã, e guias turísticos da região de Parelheiros. O encontro foi um momento de escuta, aprendizado e desconstrução de estereótipos.
Jerá compartilhou com os estudantes aspectos da cosmovisão guarani, sua relação com a natureza e os desafios enfrentados pelas comunidades indígenas no contexto urbano. Os guias locais apresentaram a importância do ecoturismo como ferramenta de valorização ambiental e de geração de renda sustentável.
“Eu achei que a aldeia indígena era um local em que as pessoas ficavam de tanguinha de folha, andavam com o corpo e a cara pintada, moravam em ocas e tinham tamanduás como pet, mas não. Eles tinham casa de tijolos, vestiam camisetas de time, tinham carros, celulares e até uma Unidade Básica de Saúde (UBS), porém, mesmo assim, eles tinham suas próprias tradições, orações, danças e todo o resto sempre preservando sua cultura.”
Bento Ochsendorf De Oliveira, aluno do 6º A.
O Campo: vivência e aprendizado em território Guarani
A etapa de campo aconteceu no Polo de Ecoturismo de Parelheiros Marsilac, na capital paulista, com visitas à Aldeia Tenondé-Porã e ao Parque Ecológico Estância das Águas. Na aldeia, os estudantes viram de perto as tradições, a língua e o artesanato guarani, além de participar de rodas de conversa e trilhas interpretativas. No parque, observaram práticas de conservação ambiental e discutiram temas como preservação da Mata Atlântica, uso da água e biodiversidade.
Durante todo o percurso, os alunos foram estimulados a observar, registrar e refletir sobre a integração entre cultura, território e natureza, entendendo como o modo de vida guarani expressa uma profunda relação de respeito e reciprocidade com o ambiente.
O Pós-Campo: aprendizado que floresce.
De volta ao colégio, os estudantes realizaram uma atividade de expressão artística e solidária: a produção de vasos de plantas com grafismos guaranis, inspirados nas formas e símbolos aprendidos durante o Estudo do Meio.
Durante as aulas de Arte, os estudantes foram convidados a fazer vasos em gesso e vivenciar todo o processo de criação. Eles ficaram responsáveis por moldar o gesso, acompanhar a secagem, desenformar cada peça e, em seguida, desenhar os grafismos guaranis, respeitando seus significados e reconhecendo a importância cultural presente nesses traços. Após essa etapa, também realizaram a impermeabilização dos vasos, garantindo que pudessem ser utilizados pela aldeia de forma funcional para o plantio.
Os vasos foram expostos em nosso evento cultural Padre Moreau e, posteriormente, doados à Aldeia Kalipety (umas das aldeias da Terra Indigena Tenondé-Porã na região de Marsilac, zona sul da capital), contribuindo e fortalecendo um projeto de resgate de sementes tradicionais guaranis, que busca preservar a diversidade agrícola e cultural do povo originário.
“Eu achava que os indígenas de Parelheiros eram como os da Amazônia, que usariam roupas mais ‘naturais’, eu diria, porém não bem assim. Eles torcem para times de futebol como eu. Fiquei impressionado com a experiência de pintar o rosto com frutas, achei também incrível seus ritos religiosos. No final, tudo foi maravilhoso, os cachorros e os estudos interativos deram a esse passeio algo especial.”
Lucas Cotrim Nóbrega, aluno do 6°A.
Aprendizagens que permanecem.
Mais do que uma atividade escolar, o Estudo do Meio tornou-se uma experiência de intercâmbio cultural, empatia e consciência ambiental. Ao longo do projeto, os alunos ampliaram seu olhar sobre a cidade, os povos originários, e o papel da escola e da sociedade na construção de uma sociedade mais justa e sustentável.
“A experiência da ida à aldeia indígena foi incrível! Havia muitas coisas diferentes e encantadoras, duas coisas me chamaram muito a atenção; em primeiro lugar o espaço, que era gigante, com muitas árvores, áreas verdes, lagos e até árvores frutíferas; em segundo lugar a cultura; ouvi os indígenas cantarem e foi sensacional; também fui a um local onde havia artesanatos lindos e pude comprar alguns.
Além disso, também conhecia a escola, a casa de rezas, os cachorrinhos que vivem lá e até pratique arco e flecha.
Eu fui muito bem recebida pelos moradores da aldeia, me senti em um lugar seguro e cheio de amor. Estar ali com eles, ouvir as histórias e observar tudo de perto foi muito mais interessante do que aprender pelos livros. Esse dia não podia ter sido melhor, vou lembrar dele para sempre.”
Melissa, 6º A



















