Sob o prisma das estratégias de ensino, desde o ano passado, focamos em representar a cultura do sertanejo, que é uma figura típica do Nordeste brasileiro, resultante do contato entre a população branca e os indígenas, que deu origem a uma população mestiça. A região onde habitam tem a denominação de “Sertão” e deriva do termo “desertão”, usado pelos portugueses.
Nos debruçamos na vida desta população da região semiárida, e percebemos o quanto ela nunca foi fácil. Com condições sempre adversas, secas periódicas, vegetação escassa e desigualdades sociais profundas. De um lado, os grandes proprietários com as suas terras e cabeças de gado apoiados numa estrutura social e política sólida e, por outro lado, os sertanejos, no limiar da sobrevivência, que ganhavam a vida cuidando do gado, curtindo o couro e o charque (carne-seca).
Com o desejo de explorarmos estes e outros aspectos com os estudantes do 8º ano, as conversas iniciais para explorarmos a Festa Junina começaram com o professor de Língua Portuguesa, Tiago. Ele nos apresentou o livro O auto da Maga Josefa, com suas personagens Toninho e Josefa e o contexto da obra, a qual percorre regiões variadas do nordeste brasileiro e traz histórias com seres sobrenaturais advindos do folclore nordestino.
Vimos sentido em representar nas aulas de Educação Física esta cultura por meio do ritmo e das danças e, para enriquecer ainda mais este processo, nas aulas de Arte, os estudantes têm se debruçado no estudo da indumentária do sertão, explorando as vestimentas e a confecção, para representá-los da maneira mais rica possível.

AS ETAPAS DO PROCESSO
Tudo começou com a leitura do livro O auto da Maga Josefa, obra inaugural da autora Paola Siviero, com um objetivo ousado: ser uma obra representativa do nordeste brasileiro, escrita por uma autora mineira e com atmosfera fantástica, isto é, com seres sobrenaturais, explorando a riqueza do folclore nordestino e apresentando as peculiaridades dos estados que compõem o sertão, como Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. A própria autora nos relata, em seu prefácio, o desafio: “escrever este livro foi uma das experiências mais incríveis que já vivi, mas também uma das mais desafiadoras. Afinal, eu estava criando uma fantasia ambientada no Brasil, mas em uma região e em uma época que não são meus por vivência […] São cidades localizadas no agreste e no sertão, em diferentes estados, cujo bioma predominante é a caatinga e que às vezes sofrem com estações secas mais rigorosas. Esse é o cenário retratado, mas é importante frisar que essa é apenas uma entre incontáveis realidades existentes em cada Estado do Nordeste”.
Após as leituras de cada um dos dez capítulos do livro, os estudantes foram convidados a entender melhor a particularidade dos estados, seja para conhecer melhor cada região, como a culinária típica ou diferenças linguísticas ou culturais. Cada aluno opta por algo que o chamou a atenção na leitura e expõe para a turma maiores detalhes do objeto pesquisado ou analisado, enriquecendo a experiência leitora.
MÃO NA MASSA PARA A COREOGRAFIA E A VESTIMENTA
Nas aulas de Educação Física e, com foco no sertanejo, foram disponibilizados 12 ritmos musicais, dos quais os alunos escolheriam quatro para montar a coreografia, ensaiar, dançar e representar. Durante o mês de maio, as aulas de Educação Física foram utilizadas para as montagens e ensaios, paralelamente às atividades nas aulas de Língua Portuguesa e Arte, criando repertório e significado neste estudo tão amplo.
Como parte importante deste processo e dialogando com todo o conhecimento adquirido nas aulas de Língua Portuguesa e Educação Física, no componente de Arte buscamos aprofundar o estudo deste sertanejo, sua indumentária e toda história que vem junto com a vestimenta e os acessórios utilizados por este povo, que aproveita todo o material abundante em sua região para transformá-lo em marca e símbolo de resistência.