Educação Infantil

Por que o Choro Não é um Problema?

O choro não pede silêncio, pede escuta. Quando acolhido com presença e sensibilidade, transforma-se em linguagem, vínculo e aprendizado emocional

Autoria: Karina Rodrigues – Professora de Educação Infantil do Colégio Santa Maria e Eliane Lima – Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e do 1º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santa Maria

Em diversas situações, o choro infantil ainda é compreendido como algo a ser interrompido rapidamente… Frases como “não foi nada” ou “já passou” aparecem como respostas diante dessa manifestação das crianças. Porém, precisamos refletir: o choro é um problema ou uma forma de comunicação? Como nos convida Paulo Freire, educar exige escuta, presença e reconhecimento do outro como sujeito, o que implica considerar suas formas de expressão como legítimas.

As crianças pequenas estão construindo recursos para nomear e elaborar suas emoções. O choro é uma das suas linguagens mais potentes, pois anuncia desconfortos, frustrações, medos, saudades e até cansaço e sono.

Quando compreendemos o choro como linguagem, a escuta ganha importância. Escuta sensível que revela estar disponível e tentar compreender o que aquela criança está querendo comunicar. Nesse sentido, como aponta a educadora Madalena Freire, “escutar a criança é um gesto ético que exige do adulto uma postura de abertura, respeito e disponibilidade para compreender seus modos próprios de estar no mundo”.

Na escola, esse olhar é muito importante. O choro pode surgir nos momentos da despedida dos pais na hora da entrada na escola, nas interações e disputas com os colegas, em situações de frustração ou até mesmo diante de um joelho ralado no chão do parque. Quando o adulto acolhe, nomeia sentimentos e valida a emoção da criança, transformando esse momento em uma potente experiência de aprendizagem emocional.

Assim, o choro deixa de ser visto como um “problema” e passa a ser compreendido como um convite… Um convite ao afeto, à escuta atenta, à presença e ao cuidado. Afinal, é na relação com o outro que a criança aprende, pouco a pouco, a se escutar também.

Saiba Mais:

Madalena Freire é uma educadora, pedagoga e escritora brasileira, reconhecida por sua contribuição à educação infantil e à formação de professores, com uma abordagem fortemente ligada à escuta, à observação e à construção do conhecimento a partir da experiência.

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